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Nº 37 >

Editorial


  • Andreia Araújo, Maria Helena Afonso, João Beirão
    Infância, Brincar, Desenvolvimento afetivo, Psiquiatria infantil

    O brincar tem uma importância fundamental tanto no desenvolvimento infantil como em contexto psicoterapêutico. Ao iniciar o internato da especialidade de pedopsiquiatria foram sendo suscitadas algumas dúvidas relacionadas com o tema do brincar e com a posição tínhamos que ocupar enquanto terapeutas. Assim, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância do brincar, à luz de alguns casos clínicos. Abordou-se sucintamente o lugar do brincar nas diversas etapas do desenvolvimento infantil. Com base em dois casos clínicos de crianças acompanhadas na Equipa da Lapa, fez-se uma revisão teórica, partindo de textos de alguns autores que se debruçaram sobre este tema. Deu-se especial relevo a Melanie Klein e D. W. Winnicott.

  • Dora Leal, Filipa Marques, Ana Rita Soares, José Carlos Ferreira, Pedro Cabral
    Epilepsia, Antiepiléticos, Manifestações psiquiátricas, Diagnóstico diferencial, Iatrogenia

    É frequente a associação entre Epilepsia e manifestações psiquiátricas. O diagnóstico diferencial entre etiologia orgânica ou psicogénica nem sempre é fácil, o que pode levar a repercussões importantes no tratamento. Este artigo pretende fazer uma revisão dos efeitos psiquiátricos dos fármacos antiepiléticos a propósito de um caso clínico que ilustra a dificuldade do diagnóstico diferencial. Pretende, ainda, alertar para a importância de um bom esclarecimento etiológico para se conseguir garantir o tratamento mais adequado.

  • Maria do Carmo Santos, Cristina Tavares, Inês Guerra Aguiar, Teresa Correia
    Perturbações do Espetro do Autismo, Perturbação Asperger, Crianças em idade escolar, Diagnóstico tardio

    Objetivos: Conhecer os sintomas e problemas apresentados pelas crianças da consulta das autoras, que receberam o diagnóstico pela primeira vez de Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), em idade escolar, sem que houvesse uma suspeição prévia desse diagnóstico, entre 2009-2011. Dado que o diagnóstico de PEA foi tardio, pretende-se contribuir para o aperfeiçoar do seu reconhecimento e capacidade diagnóstica pelos profissionais de saúde. Métodos: A amostra é constituída por crianças com PEA de idades compreendidas entre os 5 e os 12 anos, à data da primeira consulta, e foram analisados os motivos de consulta, problemas associados, origem das preocupações, bem como os sinais autísticos mais precoces que poderiam ter sido valorizados. Foram também recolhidos dados acerca dos subtipos de PEA, instrumentos de diagnóstico utilizados, nível cognitivo, intervenções realizadas e evolução clínica. Resultados: Foram estudadas 29 crianças com PEA, em que as dificuldades de aprendizagem e de cooperação escolar, os problemas na socialização e na atenção, são os motivos mais frequentes para a vinda à consulta. Secundariamente surgem outros problemas que resultam das características das PEA. A escola e a família foram os intervenientes principais para a vinda à consulta. Verificou-se também que a maioria das crianças (83%) já tinha sido sujeita a avaliações médicas especializadas ou intervenções terapêuticas e que em 59% eram claros os sinais precoces de perturbação do desenvolvimento. Conclusões: É necessária uma maior capacidade de identificação e orientação para diagnóstico de crianças com PEA, já que um diagnóstico tardio pode afetar o seu ajustamento escolar, social e familiar.

  • R. Monte-Alto, R. Rodrigues, Cláudia Cabido
    João dos Santos, Pedopsiquiatria, Sintoma reativo, Relação terapêutica, Equipa multidisciplinar

    João dos Santos, um dos primeiros pedopsiquiatras e psicanalistas portugueses, revolucionou a saúde mental infantil em Portugal. O autor refletiu profundamente sobre os problemas da sua época e, num cenário político de incertezas, questionou os dogmas da psiquiatria, da psicanálise e da educação e estabeleceu uma forma de trabalhar que ainda hoje está presente na organização dos serviços hospitalares de pedopsiquiatria, como o trabalho através de equipas multidisciplinares, a intervenção na comunidade e o olhar atento ao funcionamento mental da criança. Com este artigo propomos recordar e estudar a obra de João dos Santos – a propósito do centenário do seu nascimento – através da exposição do trabalho clínico, baseado nos seus princípios, com duas crianças em idade escolar que recorreram à consulta de pedopsiquiatria na Clínica da Encarnação, no Hospital Dona Estefânia. O primeiro é o caso do João, um rapaz de 8 anos, com comportamento agressivo, impulsividade, furtos e desatenção na escola, sinalizado à consulta pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens por maus-tratos da mãe. A tolerância do terapeuta para com os comportamentos de ambos ajudou a mãe a transformar a sua atitude, implicando-se no conflito com o filho, o que permitiu uma melhoria do comportamento da criança e do seu desempenho escolar. O segundo caso é o da Maria, uma rapariga de 7 anos, com uma inibição psicoafetiva, enurese noturna e grande dificuldade de adaptação escolar, inserida numa família com graves relações disfuncionais, cujo sofrimento familiar é agravado pela doença oncológica da mãe. O trabalho em equipa ofereceu à criança uma dimensão relacional individual e em grupo, desmistificando o receio da socialização, e à mãe, um apoio individual. O encontro de um espaço mental contentor das angústias e conflitos da criança e da família, na equipa multidisciplinar, permitiu que a Maria encontrasse a tranquilidade interna e curiosidade necessárias para iniciar a escolaridade. Lembrar e estudar a obra de João dos Santos, encoraja-nos a continuar a pesquisar soluções criativas para as situações crescentes em Saúde Mental Infantil.

  • Teresa Sousa Ferreira
    Bullying, Escola, Agressão, Vitimização, Separação, Divórcio, Pais, Portugal, Guimarães, Multidimensional Peer Victimization Scale

    Introdução: O Bullying é um fenómeno complexo, não circunscrito apenas ao ambiente escolar, mas com uma etiologia partilhada por outros contextos. Sendo a família o primeiro espaço de desenvolvimento do ser humano, modificações na sua estrutura, tais como a separação/divórcio parental, poderão acarretar alterações na internalização de emoções e padrões de comportamento da criança, que serão experimentados noutros lugares de socialização, como a escola. Objetivos: Avaliar a influência da separação e/ou divórcio parental na manifestação de comportamentos de vitimização e de agressão por Bullying nos alunos participantes das escolas públicas de Guimarães. Métodos: Selecionado igual número de turmas do 6º e do 8º ano das escolas públicas do concelho de Guimarães, em Portugal. Os alunos preencheram autonomamente um quest ionário com informação demográfica e o Multidimensional Peer Victimization Scale adaptado para Portugal. Técnicas de estatística descritiva e analítica foram utilizadas na análise dos dados. Resultados: Avaliaram-se 658 alunos, com 11 a 16 anos de idade 48.9% do 6º ano, 48.6% do sexo feminino, de 10 escolas das 14 do concelho. Os alunos filhos de pais separados e/ou divorciados apresentam, em média, significativamente mais comportamentos de vitimização total e de agressão total por Bullying, em comparação com os alunos filhos de pais não separados e/ou divorciados. Na avaliação por tipologias de Bullying, os alunos filhos de pais separados e/ou divorciados manifestam significativamente mais comportamentos de vitimização social e física, e agressão física. Conclusão: A separação e/ou divórcio parental está associado a significativamente mais manifestações de vitimização e agressão por Bullying. Desconhece-se se a relação será simples ou se outras variáveis estarão a contribuir para esta associação. No entanto o presente artigo possibilita compreender melhor a realidade sobre o Bullying nas escolas de Guimarães e amplia o olhar sobre o fenômeno permitindo a delineação futura de melhores abordagens e de enfrentamento da questão.

  • Viviani Carmo-Huerta, Marie-Rose Moro
    Clínica transcultural, Psicanálise, Transmissão, Criança e adolescência, Imigração

    No presente artigo iremos discutir as incidências da transmissão dos traços de cultura no processo de subjetivação da criança e do adolescente migrante. A transmissão atribui um lugar para o jovem sujeito, que se reconhece numa história narrativa passada e futura, o que lhe permite re-significar sua inscrição no presente. A eficácia da transmissão é o que irá possibilitar a articulação, não contraditória, entre o lugar que o jovem sujeito ocupa numa ficção parental e o campo das suas afiliações num laço social sustentado por uma dupla cultura.

Nº 36 >

Editorial


  • Ana Moscoso
    Psicose Dissociativa, Psicose Histérica, Trauma

    As Psicoses Dissociativas Reactivas constituem uma variante da(s) chamada(s) Psicose(s) Histérica(s) e podem entender-se como uma manifestação ou resposta de stress pós-traumático que se apresenta mediante alucinações, delírios, despersonalização e comportamentos bizarros (Hollender & Hirsch, 1964)1 muitas vezes com amnésia para o ocorrido. Na génese desta psicose reactiva, a dissociação induzida pelo trauma tem um papel essencial e surge como mecanismo de defesa contra eventos de vida impossíveis de suportar. Neste artigo propõe-se a utilização na prática clínica desta entidade psicopatológica, ilustrando-se a mesma através de um caso clínico sobre uma jovem adolescente.

  • Joana Calejo Jorge, Manuela Araújo, Cristina Tavares, Graça Fernandes
    Perturbação do espectro do autismo, Atraso global do desenvolvimento, Stress materno

    O presente trabalho debruça-se sobre as vivências e sentimentos de mães de crianças que apresentam Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). Após algumas considerações sobre a PEA e uma breve revisão da literatura sobre o impacto vivencial da patologia nas mães destas crianças, apresentam-se os resultados de um estudo realizado na Unidade de Primeira Infância do Centro Hospitalar do Porto sobre as vivências e sentimentos de mães de crianças com PEA. Para avaliação da especificidade das crianças com PEA, foi usado um grupo de controlo (mães de crianças com atraso global do desenvolvimento sem psicopatologia). Foram realizadas entrevistas a dez mães de crianças com PEA e a dez mães de crianças com atraso global do desenvolvimento, com idades ompreendidas entre os 4 e os 10 anos de idade. A análise dos discursos das mães revela a unicidade e intensidade da experiência de ter um filho com PEA. Por outro lado, comparando com as mães de crianças sem psicopatologia, verifica-se a especificidade das vivências das mães de crianças com PEA. Pretende-se com este trabalho sensibilizar para a especificidade da maternidade face à problemática do Autismo e para a necessidade de uma abordagem multidisciplinar no acompanhamento destas crianças e suas famílias.

  • José Estrada, António Trigueiros
    Adolescência, Borderline

    Os autores procuram fazer uma breve apresentação de uma Vinheta Clínica apresentada no XIV Colóquio da Revista Portuguesa de Pedopsiquiatria e que é relativa a jovem de 13 anos, internada no Serviço de Pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia, em 2012. Posteriormente são discutidos alguns aspectos do seu funcionamento que apontam para uma organização estado limite. Por último, os autores descrevem o plano terapêutico delineado e a evolução clínica. Foi pedido consentimento informado aos pais para a apresentação do Caso Clínico.

  • Marco Torrado
    Pai, Vinculação, Figura materna, Desenvolvimento, Lei do pai

    Pese embora a díada mãe-bebé constitua uma dimensão nuclear do desenvolvimento humano, nos seus múltiplos determinantes, o crescente interesse pelo papel do pai no domínio da investigação salienta a importância desta figura, evocando concepções que, em certa medida, a clínica de inspiração psicanalítica cedo formulou. Discutem-se contributos recentes em torno das particularidades observadas na interacção pai-bebé e da sua relevância quer para a construção identitária, quer para o risco de desenvolvimento de perturbações da regulação emocional. Reflecte-se ainda sobre a importância da ‘lei do pai’ enquanto instância simbólica estruturante do desenvolvimento psicológico das crianças e adolescentes, feita predominantemente na presença de um pai real, e no modo como o sistema social tem evoluído na tentativa de garantir esse pilar cofundador do psiquismo.

  • Maria Garrido Campeão Moura
    Adolescência, Identidade, Psicose inaugural, Depressão, Self

    Emergem muitas questões no despoletar do primeiro episódio psicótico e da sua relação com a adolescência, fase em que a consolidação da Identidade é uma das mais importantes aquisições. Nesse sentido, dar-se-á enfoque às questões identitárias na sua relação com a vulnerabilidade psicopatológica. Acresce essencial tentar descriminar o significado da expressão fenomenológica da psicose. Pretende-se ilustrar, a propósito de um caso clínico de um adolescente com 15 anos, com um episódio psicótico inaugural – e internado num Serviço de Pedopsiquiatria –, as características fenomenológicas do processo psicótico, nomeadamente no que concerne aos três distúrbios básicos do quadro psicótico (Perturbação da Actividade do Ego, perda dos limites do Eu e Fragmentação do Ego). Levantam-se varias questões no que concerne à discussão diagnóstica em relação ao quadro subjacente, numa perspectiva descritiva e, paralelamente, numa perspectiva mais compreensiva do quadro, onde se explanam as questões em torno da identidade. Cada vez mais será essencial a integração de aspectos biológicos e ambientais com fim a uma psiquiatria compreensiva.

  • Marie Rose Moro, Viviani Carmo Huerta
    Clínica transcultural, Adolescência, Imigração, Risco, Criatividade

    Neste artigo buscaremos apontar os riscos da situação transcultural para os adolescentes filhos de migrantes. A entrada do adolescente filho de migrante no laço social será um processo de dupla inscrição, na cultura familiar de origem e na cultura do país de acolhida, sob o risco de deriva subjetiva e sofrimento quando os aspectos fundamentais a este processo não são contemplados ou são conflitantes. Para a construção de suas bases narcísicas sólidas, o adolescente deverá se apoiar nas representações imaginárias de seu lugar numa ficção familiar e na eficácia da transmissão simbólica dos traços de cultura parental. Mas não apenas, pois no âmbito externo, do social, a força das afiliações – no país familiar de origem e no país de destino – deverão garantir aos sujeitos um lugar positivo no campo social, não marcado pela exclusão. Serão essas as condições para a inscrição psíquica desses adolescentes numa dupla cultura. Isso lhes permitirá fazer a passagem do risco de vulnerabilidade da situação transcultural, para aceder a sua dimensão criativa.

  • Teresa Santos Neves, Maria José Vidigal
    Psicoterapia psicanalítica, Supervisão, Esperança, Desenvolvimento infantil

    O presente art igo apresenta um caso cl ínico de uma psicoterapia psicanalítica de uma criança, acentuando a necessidade de um tempo de seguimento terapêutico suficientemente longo, para que fosse retomado o processo de desenvolvimento e se alcançasse uma evolução harmoniosa dos aspectos cognitivos e emocionais. Além disso, é posto em relevo a persistência e a esperança da psicoterapeuta, entendida como a projecção no objecto da esperança do próprio paciente, assim como o papel desempenhado pela supervisão.

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